Tribus no Festival Golden Age no Funchal – Entrevista

Entre os dias 2 e 7 de outubro a nossa classe Tribus, uma junção entre as antigas classes Carpe Diem e Ritmus, esteve presente na 8ª Edição do Golden Age Gym Festival, festival europeu de ginástica para maiores de 50 anos. 

Depois de uma semana tão emocionante, quisemos falar um pouco com toda a classe, representada pelos capitães, Lina Marques e José Pereira, e com a treinadora, Virgínia Gonçalves, que, numa conversa cheia de alegria e gargalhadas, nos contaram um pouco mais sobre todas as surpresas destes dias! 

 

“Como é que se prepara uma apresentação deste calibre? Mudaram muita coisa nos vossos treinos habituais?” 

LM – Bem, mudámos algumas coisas. Para já porque éramos duas classes separadas que juntámos para o Golden Age e acabámos por ficar juntos. A apresentação foi preparada primeiramente em separado: a parte mais gímnica dos rapazes e a dança das raparigas. Depois juntámos e já íamos treinando com os tempos que cada classe depois teria ao longo da coreografia. Também aumentámos os treinos. Fomos poucas vezes – mas as possíveis – ao Pavilhão, por causa do espaço, porque aqui (na sala onde costumam ensaiar) temos menos de metade do espaço do praticável e depois quando passamos para o grande corremos o risco de nos perdermos um bocadinho. 

VG – Nós atuamos num piso diferente, com 14 por 14 metros. E o nosso ginásio tem 16 por 6 metros. Portanto não é de todo o tamanho que eles têm de cumprir. Como a ocupação do Pavilhão é muito grande nós só conseguíamos ir meia hora à quarta-feira. Portanto estávamos aqui um bocadinho condicionados mas com a boa vontade de todos lá acrescentamos isso. 

JP – Isto prepara-se muito com boa vontade, com trabalho, dedicação e boa disposição. 

LM – Depois da nossa primeira “prova de fogo” da época, o Gym for Life nacional, é quando nós temos noção da dimensão real da coreografia e do impacto que ela tem nas pessoas. A partir daí a professora Virgínia fez algumas melhorias na coreografia para que quando fôssemos à Madeira a coreografia já estivesse aperfeiçoada. 

VG – Nessa competição ficámos candidatos ao ouro, mas depois acabámos por ficar com menção prata. Mas estávamos com classificação para o ouro.

 

“Como é que é esta experiência de partilhar o praticável com mais de 1600 atletas de todos os cantos do mundo?” 

JP – Foi a primeira vez – de muitas – em que participámos num evento assim tão grande, mas foi uma experiência inesquecível. Quando nós chegávamos os atletas dos outros países olhavam para nós e ficavam encantados. A delegação francesa elogiou a nossa performance, não só pelo número de músicas como pela quantidade de coisas diferentes que fazíamos durante a coreografia. Se formos a ver normalmente as classes têm uma música e baseiam-se ali. Para nós foi mesmo uma experiência que vamos guardar para sempre, foi uma semana com muita adrenalina, muito stress e muita diversão. 

LM – O que nos chegou de outras delegações é que éramos uma classe com muito carisma, muita originalidade e muita classe. A experiência no geral acaba por ser muito emocionante. Desta vez éramos das classes mais novas e tivemos a oportunidade de ver pessoas nos seus oitentas e noventas.  Ali tivemos a oportunidade de ver que há tantas e tantas pessoas que continuam a dar tudo de si. 

 

“A vossa classe foi escolhida pela União Europeia de Ginástica para participar na Gala Final, como foi é que foi para vocês quando receberam esta informação? Sentiram o peso da responsabilidade?”

JP – Bem, estávamos em Porto Moniz quando a professora recebeu uma chamada para se preparar porque eventualmente íamos atuar. Só na quinta-feira às 20h é que tivemos a certeza de que tínhamos a wildcard para atuar na gala 

LM – Um ponto interessante é que a nossa coreografia tem quase 6 minutos e para a gala só podia ter 3. Portanto a professora Virgínia foi ouvir a música no caminho até Santana e quando lá chegámos já tínhamos a música feita. 

JP – Naquele dia à noite treinámos no parque de estacionamento do hotel e fizemos logo a coreografia. 

LM – Na manhã seguinte fomos treinar ao praticável onde acabámos por mudar quase tudo da coreografia que tínhamos ensaiado.  

JP – E pronto, foi espetacular.

LM – Nós chegámos a pensar que poderíamos ser escolhidos para ir à gala, mas depois tirámos isso da cabeça até que alguém disse que ia haver mais classes selecionadas para a gala. No fundo nós éramos 1% de todos os atletas que lá estavam, portanto na nossa cabeça pensámos que seria melhor manter as expectativas mais baixas. Mas depois foi um crescendo de esperança e acabou por ser uma honra. 

 

“Qual é que consideram que terá sido a maior dificuldade na preparação e na própria apresentação?”

VG – Acho que primeiramente temos a questão da falta de apoio. Infelizmente foi praticamente tudo financiado por cada um de nós. É uma pena haver poucos apoios de todos os lados e tivemos muitos pedidos que eram imprescindíveis à nossa atuação a serem recusados. Acabámos por ter de nos apoiar muito nos patrocínios de entidades privadas.

LM – Acho que também foi um pouco o desgaste físico. Nós aproveitámos cada momento do festival e por isso acabou por haver um desgaste físico, mas sempre com uma motivação. 

JP – Uma das maiores dificuldades foi também durante a primeira atuação em que a música falhou. Nós também não “demos barraca” e continuámos a atuação. No final acabaram por nos vir pedir para que atuássemos novamente já sem as falhas técnicas. Ou seja, nesse dia abrimos e encerrámos o palco. No fundo, mesmo com as dificuldades, acabou por ser um sonho tornado realidade.

 

“A partir de agora quais são as perspectivas para o futuro? Qual é o próximo grande passo dos Tribus?” 

LM – A primeira grande coisa é uma apresentação na Academia Almadense a 26 de novembro, a convite da Alma Lusa. Temos também um espetáculo no dia 17 de dezembro no Fórum Cultural do Seixal às 21h que estava previsto para maio mas que teve de ser adiado. Este espetáculo vai ser uma angariação de fundos para o Golden Age, uma vez que na altura do mesmo a classe teve de dispensar muitas verbas próprias para a nossa participação. Depois temos também outro Gym for Life em Abril, a Festa Nacional da Ginástica, que será mais para o fim da época, e continuamos a trabalhar para tudo isso. 

JP – E o próximo Golden Age na Bulgária daqui a dois anos. 

VG – No fundo os nossos grandes objetivos deste ano são estes já mencionados mas não só, temos também os eventos dentro do clube: a Gala Gímnica e o Sarau de Encerramento. Depois vão surgindo alguns convites. Vamos também propor-nos a Classe do Ano de Ginástica para Todos da Federação de Ginástica Portuguesa. 

 

Agradecemos mais uma vez a todos os membros da classe Tribus e à professora Virgínia pela alegria e a boa disposição com que nos receberam. Esperamos poder continuar a contar com todos para levarem as nossas cores cada vez mais longe e para nos representarem sempre da melhor forma!